segunda-feira, 29 de junho de 2009

Entre nossos muros também !



Para realizar o trabalho de conclusão do semestre assistimos ao filme "Entre os muros da escola” (produção francesa, dirigida por Laurent Cantet e vencedor Palma de Ouro, Cannes, 2008).
Nele vimos cenas do cotidiano escolar de uma escola : trabalho dos professores ,a turma ,a equipe diretiva ,conselho escolar,atividades e atitudes onde ora me colocava como professora e em outra como aluna.
Apesar de ser um filme francês tem muito a ver com a nossa realidade: as diferenças de etnias e culturas,o descaso, os problemas didáticos, as reuniões e suas pautas,a falta de limites e também a discriminação.
Tinha uma aluna que era a pedra no sapato do professor,desde o início deixava até eu que estava assistindo muito angustiada com tantos argumentos e questionamentos. Ficava pensando que a qualquer momento o docente sairia fora de seu limite , dito e feito !
Depois de uma longa discussão por ela ter se comportado de modo inadequado no conselho de classe e por contar para os alunos o que tinha se passado ,o professor disse que na ocasião ela parecia uma vagabunda. A menina se ofendeu,outros se ofenderam ,se defenderam e a confusão estava formada resultando em uma expulsão.
Fato parecido ocorreu com minha turma no terceiro ano de magistério numa escola particular. Como a entidade educacional era extremamente de princípios católicos,tinhamos missa quase toda a semana para todos os alunos,o diretor e padre colocava as suas pupilas (as alunas de magistério) para atrás do altar e dos convidados para que de lá dirigissem a liturgia e formassem o coral,já que professoras seriam teriam que saber tudo sobre uma missa.
Bem sabemos como é um grupo de mulheres juntas e aquele zum zum zum... O padre foi ficando vermelho,roxo,azul,verde e lascou um baita puxão de orelhas e lá pelo meio disse:
"...essas vagabundas..."
Pronto! A confusão se formou por semanas e ele teve que se explicar muito.
Lembrei deste fato pois sei que naquele momento e como no filme o vocábulo não queria dizer exatamente o que significava mas mesmo assim ofendeu e deu pano pra manga.
Já ouvi muitos colegas perderem a noção dentro da sala de aula,assim como muitos alunos também,porém cabe ressaltar que isso acontece em todos os tipos de instituições sejam elas particulares ou do governo.
Independente de qualquer problema tanto alunos como professores devem manter o respeito para que se consiga refletir dentro de um ambiente democrático e de aprendizagem mútua.

Fonte das Imagens :

http://images.google.com.br/images?hl=pt-BR&rlz=1T4GGLJ_pt-BR&um=1&q=muros+de+escolas&sa=N&start=40&ndsp=20

terça-feira, 16 de junho de 2009

Filosofando com Kant e Adorno

Assistindo a um telejornal,o apresentador falava sobre problemas da juventude tais como o uso de drogas, gangs,violência e outros problemas que temos visto nas escolas.
Dizia ele que agora virou moda as agressões e comportamentos inadequados ,dentro e fora das instituições educacionais com coelgas e professores,bem como as gangs que rondam as escolas a procura de novos usuários de crack e outras drogas.
Chamou a responsabilidade da polícia,dos docentes e por fim deu um puxão de orelha nos pais. Acostumei-me a assisti-lo sempre em defesa dos jovens com um imenso sensacionalismo porém o que me pareceu neste dia é que estava um pouco "de saco cheio" dizendo:

"...e onde estão os pais dessas crianças ou jovens? Pensam que é só colocar no mundo e os outros tomar conta? A polícia faz sua parte ,tenta protegê-los e parar os desagradáveis problemas que crescem a cada dia,mas é dever dos pais acompanhar e proteger seus filhos pois a educação começa em casa!"

Sábias palavras,hoje em dia o que mais vemos é colocarem a culpa na educação,nos professores,na mídia e nos governantes mas qual será a parcela de culpa dos pais?
Temos pais que simplesmente colocam seus filhos na escola levam no primeiro dia(quando levam) e aparecem somente no fim do ano para pegar o resultado final. Outros são coniventes com atitudes ilegais e agressivas dos filhos, que se recusam a procurar auxilio ou levá-los para atendimento especializado e muitos outros casos mais aterrorizantes.
Refletindo a partir das leituras feitas com Kant e Adorno vejo que a sociedade mudou muito , o desenvolvimento da personalidade depende sim de um contexto geral como a escola,a mídia (já que estamos em um mundo globalizado e informatizado) mas principalmente precisamos da educação familiar que é primordial e inicial .
Bom seria se pudéssemos manter após gerações os ensinamentos de nossos antepassados quanto aos valores e juntá-los às grandes mudanças e evoluções do mundo atual,penso num mundo informatizado e globalizado nos princípios básicos de respeito,amor ,amizade e educação sendo que seriam passados pela família e escola em comum acordo,assim como querem os autores...como no tempo da vovó.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Salão da Educação

Hoje participei da apresentação do trabalho realizado pelo nosso grupo(jaque,Joci,Kathia,Rejane,Sueli e Zinara) na interdisciplina de psicologia com o nome de "Síndrome do ninho vazio e Geração canguru",no 4ºSalão de Graduação e 5º Salão de Educação à Distância na UFRGS.
No evento registramos como "Síndrome virtual X Síndrome real " fazendo uma comparação com os problemas que são reais ou imaginários neste tema,qual o papel da tecnologia na solução dos mesmos e as ferramentas utilizadas para a nossa comunicação à distância na realização do trabalho .
Deu aquele "friozinho na barriga" devido a grande responsabilidade de representar o grupo ,os demais colegas ausentes,nosso pólo (Alvorada) e todo o trabalho que os professores e tutores vêm desenvolvendo .
Estou muito feliz com a participação e incentivo dos colegas,tutores e professores manifestados por e-mails e também pessoalmente,depois da apresentação tudo virou festa.Ficou um gostinho de quero mais no ar e no próximo ano ,já com esta experiência na bagagem,com certeza lá estarei.
Quem quiser saber mais sobre nosso trabalho e as síndromes é só seguir o link abaixo:

http://projetostematicos.pbworks.com/Geração+Canguru+e+Síndrome+do+Ninho+Vazio
Realmente o tema é muito agradável e interessante vale a pena conferir.
Refletindo sobre toda a preparação e apresentação do trabalho,bem como na crescente utilidade da rede tecnológica ,não posso deixar de postar a conclusão feita pelo grupo :
"Participar da construção desse projeto foi uma aprendizagem significativa para o grupo, tanto na questão de perceber a responsabilidade dos pais formando a estrutura psicológica dos filhos, para uma formação de adultos capazes de decidir por si, através dos limites e valores que são passados, para que estes sejam aptos e livres em suas decisões, como nas trocas virtuais que realizamos. A internet é uma ferramenta que pode nos ajudar a construir nossa aprendizagem, e também auxiliar em ambas as síndromes, pois dá subsídios para os filhos construírem seu destino e ao mesmo tempo acalenta os pais abandonados,que assim ficam mais próximos deles e do mundo".

terça-feira, 26 de maio de 2009

Acessibilidade digital



Preparando-me para interagir no ambiente informatizado da escola,busco opções para acessibilidade de todos os alunos,inclusive os portadores de necessidades especiais.

No planejamento do projeto de atividade do seminário integrador onde falamos sobre as cores ,utilizando as várias ferramentas disponíveis ficou uma reflexão quanto a construção e acesso dos portadores de necessidades aos trabalhos.

Sabemos que cor é vida,energia,sentimento...Está presente na vida de todos nós nas mais diversas atividades e representações ,mas como dar este acesso e passar as informações para os portadores dedeficiência?

No vídeo acima encontrei algumas respostas,muitas vezes pequenos ajustes em sites e programas que facilitam a navegação dos internautas especiais colocando-os em conexão com o mundo. Quanto às cores,descobri que estudantes e profissionais de uma faculdade espanhola estão desenvolvendo um software para que deficientes visuais ouçam as cores,cada cor correspondendo a uma nota musical. http://mais.uol.com.br/view/26915Acredito

Acredito que quando se nasce portador de alguma necessidade especial ,seja ela de qual grau for, o mundo não será o mesmo e é preciso vê-lo diferente . Muitos têm algumas percepções outros não tem nada ,nem mesmo a "noção do eu",é a noção de aprender que vai fazer a diferença e é também aí que está a importância de nosso trabalho docente.

A preparação do ambiente informatizado,as competências,metas , todo pessoal e material utilizado para a inclusão desses indivíduos devem direcionar para a difícil tarefa de aprender, viver e conviver com as perdas esquecendo as perguntas : por que eu?, por que pra mim?




A criação

Se pensarmos nas tantas responsabilidades que temos ao colocarmos um ser no mundo com certeza a população não cresceria tanto e tão descontroladamente.
Formar um cidadão,educá-lo para exercer sua cidadania é algo que independe de um só segmento.
Partimos assim de nosso primeiro grupo social( a família) influenciados pelas diversas características que a acompanham,crescemos em outros grupos sociais (entre eles a escola),vivemos intensamente e nos reproduzimos para a continuação do ciclo da vida.
Neste processo é preciso pensar nas heranças psicológicas que acompanharão nossos descendentes em face a construção de sua história e personalidade.
Vejo muitos casos de crianças e jovens desamparados,excluídos,deficientes,desprezados e mal conduzidos na sociedade,porém é preciso ressaltar que esta preparação é feita em um processo longo e complexo desde sua concepção no ventre (com as características de sua família) até a sua participação nos diferentes grupos sociais.
Cabe portanto antes de mais nada analisar onde está a falha ,fazer uma análise de sua criação ,família e escola são seus primeiros contatos sociais e onde um desses principais grupos falha a "rua " acolhe.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Nosso passado ,nosso futuro.


Sempre achei um pouco exagerado o modo com que meu pai falava do nosso clã,a importância do nome e sobrenome e as nossas orígens,hoje fico feliz em saber um pouco da minha história e o quanto isso foi importante para me dar a noção de pertencimento pois a família é com quem temos nosso primeiro contato enquanto grupo social.
No slide acima estamos tentando retratar um pouco da história do meu filho ,com a colaboração do pai e o irmão (por parte de pai ) cujas descobertas e reflexões foram muito produtivas.
Realizando a atividade sobre mosaico e etnias ,percebo ainda mais a importância de se apropriar de nossas orígens étnicas,porém cabe lembrar que neste meu novo olhar não há povos de raça pura.
A raça humana é um conjunto de etnias que se mesclaram do resultado de outras e que podem ser apenas distinguidas entre os grupos sociais que tem a mesma cultura,fala a mesma lingua e que tem histórias e origens comuns.
O velho ditado : "Todos somos iguais perante Deus" deveria se estender para "perante Deus e os homens" pois acredito que nenhum ser humano possa definir sua pura ancestralidade. Sendo assim , falando das muitas gerações que nos trouxeram até aqui,é bem provável que o sangue que corre em nossas veias seja composto da realeza,guerreiros ,escravos,trabalhadores de todos os tipos e cores descaracterizando as atitudes e pensamentos negativos referentes a diferenças raciais.
"Temos direito à igualdade quando a diferença nos inferioriza e direito à diferença quando a igualdade nos descaracteriza".(Boaventura de Souza Santos)

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Minhas Aprendizagens

Lendo as postagens dos colegas fiz uma retrospectiva sobre a educação desde meus primeiros passos,passei pela docência até chegar onde estou. Para cada fase de minha vida um desafio foi lançado,objetivos foram alcançados e muitas novas aprendizagens conquistadas.
Se pudesse voltar atrás certamente muita coisa faria diferente mas é preciso fazer dos erros novos acertos,para isso é fundamental reconhecer,refletir e buscar mudanças.
Houve um tempo em que falar em aprendizagem digital,internet,computador,inclusão,etnias e tantos outros temas era uma grande utopia,ríamos e comentávamos sobre os loucos que teimavam em idealizar uma educação diferente daquela que tínhamos.
Hoje passados muitos anos,mas nem tantos assim ,vemos os ideais que começam a se realizar e que continuarão a se concretizarem em um futuro onde seremos parte de lembranças e histórias.
Não sei se por causa dessas mudanças ou por estar na"generatividade", onde segundo Erikson a pessoa começa a interessar-se por outras fora de sua família imediata, com as gerações futuras e com a natureza da sociedade e do mundo em que elas viverão,fico a divagar sobre tudo que aprendi, as mudanças que tive e as que ainda terei .
Aceitar críticas,trabalhar em grupo,respeitar as diferenças,tolerar mais ,interagir e fazer prioridades na vida são algumas dessas mudanças que fazem bem particularmente e profissionalmente.
Atualmente discutimos com mais naturalidade sobre problemas raciais,etnias,trocamos experiências sobre tecnologia e inclusão.
Assistindo a uma entrevista no "Programa do JÔ" com uma repórter com síndrome de down chamou atenção a naturalidade da entrevistada ,o amor ao trabalho e a vida que ela transmitia. Uma pessoa verdadeira e transparente ,com opiniões e atitudes capazes de transformar qualquer um de nós em meros espectadores.
Se o preconceito existe é porque primeiro surgiram os preconceituosos,temos muito a aprender e muita interação para realizar,como diz o ditado:"não julgue um livro pela capa.Aprenda primeiro a ler o que tem dentro".